sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Orientação para a vida

O título deste post pode não ser o melhor, mas é certo que se adequa ao que será brevemente explanado.

Por vezes, e não poucas, quando em serviço em Delegacias Distritais, ou do Interior, Delegacias de Atendimento à Mulher e também nos plantões em DPJs (Departamento de Polícia Judiciária), nos deparamos com situações complicadas do relacionamento conjugal, da forma de criação dos filhos, atitudes em eventos sociais (desde uma cachaça em um butiquim da esquina até um champagne em uma boate da "high society"), dentre outras situações inóspitas e algumas até impossíveis de serem contadas sem que compliquemos a situação de maridos e mulheres, por exemplo. Mas vou contar um breve "causo" sem citar nomes, município e data...

Uma situação engraçada vivenciada em um DPJ certa vez foi a de um sujeito que costumava sair para beber depois do trabalho e que quando chegava mais tarde em casa não "comparecia", se é que você me entende. A mulher (que até não era dessas de se jogar fora), de classe média, moradora de bairro bem razoável e aparentemente nem tão leiga em temas jurídicos, compareceu ao plantão do DPJ para solicitar um Termo de Medidas Protetivas. Queria que o Delegado peticionasse ao Juiz de Direito para que este determinasse ao marido "Boston Medical Group" que não bebesse mais todos os dias, pois a estava deixando sozinha em casa, e, consequentemente, ao pé da letra, estaria a esposa "ficando na mão", pois chegava em casa "de fogo" e com vontade somente de dormir.

E aí? Qual o papel do Delegado de Polícia Civil neste caso? Poderia simplesmente dizer a ela, que estava no DPJ acompanhada do marido (?!?!?!?!), que não era problema de polícia, mas sim de qualquer outra coisa, menos de polícia. Mas não, nossa opção foi dar orientação a ela que tentasse o diálogo com o pinguço, e, a ele, longe dos ouvidos dela, não necessariamente desta forma, mas no sentido de que, caso assim continuasse, necessitaria adquirir um carro conversível, para poder caber a quantidade de chifres.

Por vezes não adianta dizer que as coisas são erradas e dizer "que coisa feia, vê se melhora hein". O negócio é abrir o verbo e expor a situação da sua forma real, sem entrelinhas e enrolações. Se o marido não estiver conferindo em virtude de sacanagens na rua, nada mais junto que um belo par de chifres. E mais, depois de ser corneado, nem adianta dar uns tapas na mulher, pois assim será pior, o "corno brabo" pode puxar uma bela "cana", e não é daquelas de açucar com gelo e limão não.

Resumindo, nós trabalhamos demais, ganhamos menos do que achamos justo, mas, de vez em quando, a gente se diverte. E esse é um dos motivos, talvez o menor deles, que nos faz trabalhar com um sorriso no rosto.

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